Centenas de páginas já foram escritas. E cada palavra, permanece na memória guardada. O que se deixar de um tempo? Suspiros. As idéias, os delírios, os sonhos, os batimentos acelerados do coração. Tudo merece ser guardado. Tudo o que foi dito antes, merece ser guardado, nos confins da memória, para que apenas desperte quando não existir mais pelo o que pensar.
E o que se deixar?
Notas finais, passagens líricas, fermento, suspiros, de alguns ventos estranhos e confortantes.
Você sabe como é se sentir cada vez mais pequeno?
Braços que diminuem aos seus próprios olhos e marcas de feridas que surgem abaixo da pele.
Nunca pensaria que seria assim. Calmo, vácuo, e com um gosto peculiar para músicas francesas, enquanto sinto o possível aroma das árvores alemãs, que sem ouvidos, nunca tiveram a noção das palavras débies que permeiavam toda a sua terra, e sem olhos, nunca viram os simbolos nazistas de um povo que buscava ser único, em uma terra grande demais, em um tempo muito sútil.
Cada vez mais pequeno. Um termo infantil, aliás, tudo em mim se torna infantil. Somos crianças quando o tempo se torna mais curto do que o alvorecer.
O sangue não precisa mais do metal, para ser exposto, nem de unhas, nem de murros, nem de nada que venha de fora. Ele brota dos orificios mais estranhos do seu corpo. Quando se menos percebe, quando se está mais calmo, as ondas ficam turvas e o corpo não é mais o mesmo. Cada vez mais pequeno.
Já existiu os medos de um adolescente qualquer, e os medos de uma alma que aos poucos foi se degradando. O problema sempre foi procurado, mas nunca enchergamos o óbvio. E suas pernas não funcionam mais como antes. E é tão bom saber que o problema nunca foi na mente, nem na alma. É tão bom saber que você sempre foi um homem comum, e não um extraordinário personagem Dostoievskano. E sim um personagem qualquer, dos mais belos livros de Kundera. Sentindo os ventos que um tal Alemão ficticio sentiu. Quando enfim decidiu, encarar o front.
Nunca fui louco, nem doente da alma.
Mente de luz, era como costumava denominar, nos tempos mais leves depois da Guerra.
E aos poucos, os livros vão sendo abandonados, e o desejo de estudar, certamente esquecido. E com enigmas, vou dizendo aquilo que tenho medo de soletrar, literalmente, em todas as suas letras.
Sempre pensei que o fim, seria um suicidio. Mas esse pensamento perdeu todo o seu valor, até quando encontrava na filosofia, razões tão intensas e interessantes, saídas das palavras de um dos Demonios de um livro qualquer.
Minhas palavras sempre foram tão minuciosas, meus atos sempre foram contraditórios ao ambiente, e eu só tinha uma certeza, aquela que fazia com que as pessoas olhassem de um modo estranho para mim. Sempre tive uma memória infalível, para todas as coisas. Aos poucos ela se desvanece. E se foca em um ponto distante, não mais o que passou, e sim um ponto distante do que a qualquer momento poderá ocorrer.
Não briquem de "assustar" comigo. Não me tranquem em nenhum ambiente escuro, não mais. Agora, não da mais.
Je suis Malade. Je suis Malade.
Logo quando encontrei as palavras certas, para poder conversar com Deus, aquele que de alguma forma sempre acreditei existir, mas não encontrava nos rostos e nas palavras dos crentes, nenhuma essencia que se parecia, com o ideal que eu sentia nas estrelas, do que poderia ser Deus. Agora, que já posso conversar com ele a todo instante, e sinto as pequenas nuvens se aproximarem do ideal paradisiaco do que seria o seu lar. Nuvens vermelhas, imagem retirada de alguma memória, que guardei e não posso mais lembrar.
Não posso mais escrever sobre o que se passou, pois sou um daqueles humanos, que sentem e sabe que as coisas, estão sendo tragadas no vento.
As músicas antigas, se tornaram antigas demais. O ontem é confuso, e o sangue, o sangue é onde está tudo, tudo o que sempre procurei, e que enfim me trouxe um sorriso estranho, de saber que sempre fui aquilo que nunca pensei ser. E que o Diabo realmente mora nos detalhes. Mas ele é capaz de fazer um homem sorrir diante do precipicio. Sim, nisto lhe sou eternamente grato.
A verdade, é que as ultimas palavras de um homem não devem falar sobre o que ele viveu, e sim meras palavras que podem o manter vivo, e ativo, pelo máximo de tempo possível.
Talvez os ventos mudem, isso não importa muito. O fututo é incerto, e o melhor é correr. Como disse uma vez, para um arco-íris. Se lhe arrancaram as pernas, corra com o vento, sem precisar se mecher. E neste momento estou correndo contra o vento, que tenta me dizer que tudo está se acabando. Que nada é justo e pouco é certo. E sim, o possivel último ato, é dizer que tudo isto está errado. E agradeço eternamente ao diabo que mora nos pequenos detalhes, e que sempre esteve lá, desde quando nasci.
As injeções não são tão terríveis assim. E ainda queria ter que ouvir, algumas palavras de um sorriso bom. Mas a minha verdade, que para mim é algo feito de luz, é para os outros feita da mais escura tonalidade.
E por favor, não digam nada. Não me perguntem nada. Deixe que eles cuidem de toda técnica humana. São somente 21 gramas.
Agosto, ah, doce agosto. Época de folhas laranjas em algum lugar da Holanda.
Eu não sabia que era possivel ver o monte através da varanda do lar, mas, um tempo fora e tudo se torna mais vísivel. O destino existe, e de uma forma peculiar mas entanto, muito comum, passei a entender tudo isso. Essas verdades que o povo soltam através de seus lábios, sem ao menos pensar.
Mais um sorriso, saber que é bom pensar. Que o meu problema nunca foi pensar, meu problema foi que a maldade andava perto demais, perto demais para que pudesse ser vista pelos meus olhos comuns.
E faz um bom tempo, que minhas emoções se tornaram diferentes, como os são nas verdades de um esquizofrenico.
Me sinto feliz, como nunca me senti. Me sinto preenchido, a cada dia que meu corpo se torna menor. As paranoias foram tragadas em cigarros silenciosos, os medos, escondidos em textos definitivos, e o tato, cada vez mais insensivel, está voltado para dentro, enquanto ainda a dor não é exposta para fora.
E os ouvidos, tão sensiveis, se incomodam com o som de guitarras, e não permitem que o sono apareça, enquanto houver passos pela rua.
Mergulhados em leite, são os cegos imaginados por um português. E o mais próximo que posso saber como é se sentir mergulhado no mais doce branco, é quando olho para as paredes da sala, e a visão se torna turva, pouco detalhada.
E os ouvidos, pedem a voz de uma cantora que deixou de existir há 22 anos atrás. E que, infelizmente, após tantas palavras poéticas deixadas gravadas em músicas eternas, preferiu não dizer nada, quando tudo se tornou insurportável, apenas escreveu, algo tão cru e tão real...
Dálida, doce Dálida.
Je suis malade. Je suis malade.
Você saberia dizer se o tempo existe?
Não consigo mais pensar, e meu estomago dói. Meu hálito tem odor de acetona. Meu cerébro está manchado. Sim, me perdoe, mas pensar é algo que também deixei para trás. E nem espero que minhas palavras sejam compreensivas, pelo contrário, elas são tão frescas quanto o gelo está se tornando, nas calotas polares que enfim sabem o que é sentir calor.
Ah, calor, como eu o detestava! Sim, como o detestava! Agora eu o acho tão natural, está até se casando com a temperatura do meu corpo.
São meras palavras.
Parole, parole, parole.
Existe ainda algumas coisas que queria sentir, e das quais já sentir tantas vezes.
Sorvete, Coca Cola, chocolate... E deveria até sentir, mais e mais. Sentir na velocidade em que vou mergulhando em leite.
Hoje estou bem, e assim continuarei. É o melhor que pode existir, quando as coisas deixam de funcionar, mas não pela loucura ou melancolia. Apenas quando as suas celulas estão se destruindo em uma velocidade intensa.
E escrevo, apenas para que o meu cérebro, continue a funcionar, para que ele continue a perceber, e ter algo para me focar.
Cetoacidose Diabética.
Talvez, talvez, eu não pare de escrever tão cedo. E talvez, isso me mantenha aqui. E mantenha essa felicidade, essa calmaria. Pelo maior tempo possível.
E quando tudo terminar, espero que as pessoas já tenham deixado de se importar. Espero até que essas palavras não sejam vistas tão cedo. Espero até, que alguém as divulgue, quando tudo tiver terminado.
Eu tenho que escrever, sem parar, sem parar. Para poder continuar vendo, para poder continuar a sentir. Abdiquei do pensar, do lembrar, e do tentar.
A única coisa que tento, é escrever mais e mais, mesmo sabendo que isso nunca vai reparar o que já foi ferido. Só irá diminuir a velocidade. Pois, que tudo seja lento, até mesmo quando o tempo é curto demais.
Je suis Malade.
Que bom que hoje estou bem, eu vi minha mãe sorrir. Li algum texto que me fez sorrir. E pude apreciar com meus ouvidos sensiveis, a voz de Dálida.
Avec le temps...
O melhor de poder escrever, quando sabe que no momento ninguém irá ler, é que não esperamos por um bom roteiro, nem por uma sinopse já pensada. Apenas soltamos palavras desenfreadas, que me permitem saborear o mundo.
As palavras, me permitem estar aqui, enquanto as minhas celulas estão atacando, por estarem indefesas, pensando que o inimigo são suas próprias irmãs.
Hoje, tudo está mais calmo. Até a própria confusão. Até o próprio Caos.
Sim, quero sentir mais uma vez o ácido do refrigerante. Posso fazer nada pela minha perna, faz tempos que ela não para de tremer, e há 3 dias, vai aos poucos deixando de existir. Já sinto até o calor confortante do banco de alguma cadeira de rodas. Até mesmo o sorriso tão intenso e pouco vísivel que irei libertar para o mundo, enquanto alguém me leva pra passear e meus olhos tentarão enchergar o verde das folhas brasileiras. Aqui, em minha cidade, tudo está mais colorido. Pena que não posso notar bem. Agosto é um mês lindo, nessas terras baianas. Eu sei que tudo está mais colorido, pois sempre vivi aqui, nem é preciso lembrar, nem ao menos pensar, já é de hábito, saber quando a sua terra ganha mais cor.
Viva forever.
"Nota de falecimento" - Não, não queria ouvir isso, maldito são os carros de som que passeiam pelas ruas trazendo noticias ruins. Malditas são as noticias ruins. Mas não me preocupo. E nem se preocupe. As minhas noticias não serão ruins. E a poucos chegarão ao saber.
Será que poderei sentir o novembro? E escrever sobre ele?
Pois, por mais que colorido seja o agosto, o novembro tem um sabor ardido e ao mesmo tempo doce. É como um chocolate de pimenta, que liberta um prazer irresistível, como um orgasmo feminino. Já o agosto, tem cheiro das folhas holandesas, possivel cheiro delas.
Queria caminhar mais um pouco, talvez hoje eu tente.
Embora não sinta a minha perna, eu sei que posso fazê-la caminhar. E não vou me importar com os olhares estranhos. Não tenho culpa se meu joelho não é mais um joelho comum. E eles ainda tem tempo, muito tempo.
Tempo, alguém pode me dizer se ele existe?
Não quero parar de escrever. Por mais que eu esteja me sentindo calmo e feliz, queria ainda sentir mais coisas. Apenas sentir.
E não sei se poderei. É tão incerto, e tão entediante, ter que esperar por folhas médicas, algum resultado próspero de vida. E não sei por quanto tempo, irei me permitir, sentir essa mancha cinzenta dentro de minha cabeça.
E não quero ser motivos para prejuízo. Não quero. E prefiro parar de pensar por aqui, pois me abdiquei a isto, lembra?
Vamos falar sobre as rosas do Egito, até mesmo da cidade de Roseta. E das águas do Nilo. E de como o Rei Francês teve a sua cabeça decepada, quando o país proclamava pela liberadade de usar a sua cabeça. Sim, o Iluminismo. Um bom tema da história, bom para ler, ouvir, imaginar.
Pensar e imaginar caminham de mãos dadas?
Não, acho que o pensar se limita na dúvida. Na dúvida.
Will You be There.
Não deveria mais fumar. Não deveria. Isso vai contra o que mais quero no momento, ganhar tempo e lutar pelo tempo. Talvez até, pela cura.
É possível lutar contra si mesmo, contra as suas próprias celulas.
Só não quero ter enlouquecido demasiadamente, quando enfim, ter mais tempo para mim. Quero permanecer com esse sorriso, de saber que o problema nunca foi a loucura, e nem a alma degradada. E sim, celulas. Celulas. Ovos, galinha, carboidratos, anti-corpos.
Será que o gosto da cerveja permanece o mesmo?
Esse hálito de acetona mudou muita coisa.
O verão está próximo.
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